Associação Cultural Moinho da Juventude
Em Julho de '96, pela 5ª vez, festejou-se o Kola San Jon no Bairro do Alto da Cova da Moura com o apoio da Associação Moinho da Juventude.
Dina, oriunda de Santo Antão e membro da Direcção da Associação, propôs em '91, que a Associação organizasse a Festa do Kola San Jon. Sendo o reconhecimento da identidade cultural uma das linhas mestras da Associação, desde a sua criação, toda a Direcção aprovou o empenhamento nesta festa.
Fomos procurando os sócios e moradores que podiam colaborar. Dina lembrou-se de um primo que sabia fazer o barco, elemento essencial na Festa. Foi indicando outros sócios e vizinhos que conheciam bem as tradições da Festa. As estagiárias do Serviço Social, de então, foram contactando e falando com as pessoas e pouco a pouco foi-se preparando a Festa. Elas aperceberam-se dos muitos requisitos, muitas cerimónias e regras na festa do Kola San Jon. Foi também a descoberta de muitas capacidades desconhecidas: vários sócios e moradores conheciam tudo sobre a feitura de um tambor, sabiam todos os pormenores sobre a preparação e qualidades das peles para os confeccionar.
Era o ritual da entrega do barco, a escolha da tripulação e dos padrinhos, o baptizado do barco, as bandeiras a levar, em conjunto com a cana de açucar, que tinham garrafas de grogue pendurado, toda a variedade de produtos agricolas como o milho, a mandioca, para além das bolachas, pipocas e rebuçados que iam enfeitando o barco.
Foi um encontro entre os caboverdeanos e os portugueses do bairro: a destacar a participação do Madeirense que levou a bandeira Portuguesa.
No início houve uma certa relutância: 'será que vem a polícia e leva a gente presa?' Mas aprecebendo-se da adesão dos portugueses e de algumas instâncias oficiais, o entusiasmo, a alegria profunda, o vibrar com a festa foi de tal forma que todo o cansaço foi esquecido e o grupo 'invadiu' todas as ruas e ruelas do Alto da Cova da Moura. As crianças e jovens foram engrossando o cortejo. Os Caboverdeanos mais velhos, estavam chorando de emoção à janela e entravam com todo o seu ser no ritmo do tambor. Foi uma festa noite dentro, e de volta à sede da Associação, o grupo ficou ainda a todo o vapor, a rufar o tambor e a dançar com o barco. As bebidas foram divididas. O dinheiro e o barco foram entregues à Associação para a preparação da Festa do próximo ano.
O capitão do barco deu-lhe o nome de 'Casa Branca'. A 'casa branca' é a sede da Associação. No fim da festa o grupo partilhou um profundo bem estar, todos sentiram uma energia que se multiplicava: na associação encontram apoio para a educação dos seus filhos, encontram possibilidade para participar nos cursos de alfabetização, encontram apoio mútuo para o desenvolvimento dos seus filhos adolescentes, têm cursos de formação profissional e a oportunidade de exprimir os valores da Festa do Kola San Jon.
Foi a existência da Associação que assegurou o viver da Festa do Kola San Jon no bairro do Alto da Cova da Moura durante 5 anos seguidos.
Cada ano foi de maneira diferente. Em ´92 foi uma festa que juntou mais de 2000 pessoas. Em ´93 os grupos dos jovens da Associação de kizomba, funaná e rap juntaram-se à festa. Em '94 a Escola Preparatória abriu as suas portas à Associação Moinho da Juventude e à Festa do Kola San Jon.
Entretanto o grupo teve a honra de participar nas Festas da Cidade na Amadora e Loures, e abriu o Festival Internacional do Teatro em Almada.
É esta a aposta da Associação Moinho da Juventude: dar oportunidade aos moradores para exprimir a sua identidade socio-cultural e através deste reconhecimento assegurar a sua inserção na sociedade portuguesa.